Todas as canções foram compostas, executadas, gravadas e mixadas por Walter Kinder – tudo toscamente.
As exceções levam os devidos créditos nas descrições.
Clique nos títulos para ouvir.
o1/05/2005 – Monocircus: Walter Kinder (música, letra, guitarra e vocal), Ciça Hermann (piano), Fernando Lauletta (bateria), Rodrigo Scott (baixo). Gravada no Estúdio Flap.
Quando sento na cadeira de balanço da minha avó paterna
Me sinto como o velho lobo do mar
Mas mesmo assim eu confesso, fico um tanto mareado
É… e paro de balançarComo pode um novelo de lã entreter por tanto tempo os gatinhos?
Acho que eles são as companhias idéais para a minha avó
Os dias são tão longos lá na casa dela
Olhando para o velho quintal, através da janela
Os dias são tão simples lá na casa dela
Olhando para o velho quintal, através da janela
10/02/2006
Um dia eu recebi um presente tão inesperado
Era um pequeno aquário com um solitário peixinho dourado
Não havia pedras, não havia plantas, não havia nada
Para sentir-se em casa, para sentir-se amado, o pobre coitado peixinho dourado
Levávamos uma vida besta…
Enquanto ele nadava em círculos, eu andava em círculos
A gente conversava um pouco sobre nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada
(incrível solo de bolhas)
Um dia o devolvi
Porque já estava ficando um tanto angustiado
Já não podia viver, pensava em suicídio
Queria vê-lo nadando feliz, pequeno ciprinídeo
Pequeno ciprinídeo… nadando feliz, borbulhando, eu queria ver
Não podia viver triste assim
o1/05/2005 – Monocircus: Walter Kinder (música, letra, guitarra e vocal), Ciça Hermann (piano), Fernando Lauletta (bateria), Rodrigo Scott (baixo). Gravada no Estúdio Flap.
Richa-richa-richa-richa-richa-richa-richar
Richaaaard… Richaaard…Eu não sei tocar piano como Richard Clayderman
Eu queria tocar piano como Richard Clayderman
Mas eu não tenho dedos tão longos
Eu não tenho olhos azuis
Eu não tenho os cabelos loiros
E eu não pareço o Príncipe Valente!
Richard Claydermaaaan…
17/06/2005 – Walter Kinder sobre noise (descontrução musical) de Fabio Faria.
Era da classe turbelária
Era um ser vivo e comensal
Era até que elegante, tinha um corpo achatado, dorsoventralmente
Tinha esqueleto intracelular
Em forma de teias de filamentos
Locomovia-se por rastejamento muscular
E outros movimentos
E o que era de se vangloriar
Tinha células totipotentes
Importantes na cicatrização e regeneração
Dos ferimentos
Mas o que o deixava triste
Profundamente deprimido
Era a sua reprodução assexuada
Por brotamento
29/06/2006
Partiu o biscoito da sorte
E encontrou um papelzinho falando da morte
E pensou, “olha quantos chineses
Vão dominar o mundo”
Quis ser chinês por um segundo
Lembrou do seu pequenino pequinês
Em sua infância, o velho tênis xadrez
23/06/2005 – Jellyfisherbones: Música, execução e etc por Walter Kinder; Letra de Paola Zamboni; sobre música desconstruída de Fabio Faria.
Klaatu barada nikto… Klaatu barada niktu…
Fui ver um filme ontem
Com homenzinhos verdes – take me to your leader!
Mas que porra é essa? Um homem de metal de 3 ou 4 metros?
Andando devagar, passoa a passo até a cela…
Gigante de metal! Gigante de metal!
A mocinha grita, o mundo inteiro pára!
O mundo inteiro pára, o filme continua
E o meu tempo acaba… acaba!
Klaatu barada nikto… Klaatu barada niktu…
18/02/2006
Ela atravessou a rua como se atravessasse um rio
Quem sabe a vida do outro lado não seria tão ruim?
Ela não me deu um beijo, não acenou, não se despediu
Quem sabe eu não tenha sido nada, não tenha sido ninguém?
Eu não sei nadar
Não sei atravessar a rua
Ela queria o sol, ela queria o vento, ela queria mais da vida
Ela queria ficar, ficar longe, longe de mim
Eu não sei nadar
Não sei atravessar a rua
Nunca a quis mal, mas acho que agradeci quando ela foi atropelada
Eu fiquei feliz, eu até sorri, ao vê-la ali estirada
Uma perna para um lado, um mamilo estilhaçado, dez dedos separados da mão
Um pé arremessado, o outro ainda grudado a um toco de osso no chão
Um braço em pedaços, o coração perto do baço e um fígado fatiadinho
O intestino esticado, olho com sangue pisado, uma orelha no meio do caminho
25/08/2005, às 4h53.
Quando acordou no jardim de inverno era quase verão
E levantou os bracinhos finos procurando um apoio
Em meio a tantos cactos passava calor
Estava com tantos espinhos, como um baiacu
A vida sempre foi ingrata com quem dorme demais
Avida sempre foi tão chata, mas agora está mais
Mesmo com os olhos furados jurava ter visto Deus
Mesmo depois de tê-lo visto continuava ateu
Não acreditava em nada, só na hibernação
Quando acordou no jardim de inverno era quase verão
E levantou com as perninhas trêmulas procurando andorinhas
Uma andorinha só não faz mal algum
Duas andorinhas podem fazer andorinhas
25/08/2005, às 4h53.
Já havia assistido umas quinhentas vezes
Mas sempre chorava
Chorava
Com o Endless Love…
25/08/2005
Ela gostava de ouvir o barulho da chuva
E caminhar no ritmo das gotas
Que caíam sobre o guarda-chuva de papél
No Japão a chuva era poesia
Enquanto a água caía ela sorria
Sorria…
Ela era um wagashi
Seguindo os passos das estaçõe
Eu gostava de ouví-la tocando sanshin
Que ela trouxera de Okinawa pra mim
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